39° Congresso Brasileiro de Urologia

Dados do Trabalho


Título

TUBERCULOSE UROGENITAL: CENARIO EPIDEMIOLOGICO NACIONAL

Introdução e Objetivo

A tuberculose urogenital (TBUG) é uma doença causada por agentes do complexo Mycobacterium tuberculosis, acomete os aparelhos urinário e/ou genital, cujo diagnóstico é difícil e, por vezes, tardio, haja vista um prolongado tempo de latência clínica. Diante disso, a TBUG pode resultar em desfechos graves, como insuficiência renal e infertilidade. Objetivou-se evidenciar o cenário epidemiológico dos casos de TBUG no Brasil.

Método

Estudo epidemiológico, baseado em dados de casos confirmados de TBUG, obtidos no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), na plataforma do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS), de 2018 a 2022, no Brasil.

Resultados

No período, foram notificados 1.362 casos de TBUG no Brasil, que representou 2,2% dos casos de tuberculose extrapulmonar, atrás das formas pleural (41,4%), ganglionar periférica (22,2%), miliar (11,1%), óssea (7,2%), meningoencefálica (6,9%) e ocular (5,7%). O Sudeste, Nordeste e o Sul corresponderam, respectivamente, por 47,9%, 20,8% e 17,8% dos casos de TBUG no país. Já os estados com mais casos foram São Paulo (27,3%), Rio Grande do Sul (10,8%), Minas Gerais (9,9%), Rio de Janeiro (9,2%) e Bahia (7,6%). Destes, 85,8% foram casos novos, sendo os demais, por exemplo, recidiva ou reingresso após abandono. 84,9% dos casos foram classificados como TBUG isolada, sem evidência inicial de comprometimento de outro sistema. Sobre o perfil dos indivíduos, 58,9% do sexo masculino, 51,1% pardos/pretos e 96,5% tinham idade igual ou superior a 20 anos, com tendência de queda dos casos a partir dos 70 anos, e 37,8% tinham menos de 8 anos de estudo. Vale destacar alguns fatores identificados nos portadores de TBUG como o diagnóstico de HIV (15,0%), tabagismo (10,9%), alcoolismo (6,7%) e uso de drogas ilícitas (4,8%). Quanto ao desfecho dos casos de TBUG, 70,0% evoluíram com cura, 9,3% abandono ao tratamento e 2,7% óbito. Por fim, no período, 10,0% dos casos necessitaram de internamento e 5,1% destes evoluíram com óbito.

Conclusão

A TBUG não foi a forma extrapulmonar mais prevalente, mas apresentou um número relevante de casos. Fato que se agrava por se tratar de casos novos, traduzindo-se como falha na quebra da cadeia de transmissão da tuberculose (TB). Frente a esse contexto, é imprescindível o fortalecimento das políticas públicas de combate à TB em articulação com todos os níveis de assistência, de modo a intensificar as ações de prevenção, rastreamento das populações com maior prevalência, diagnóstico precoce e tratamento de todas as formas da doença.

Área

Infecção

Instituições

UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA - UNEB - Bahia - Brasil

Autores

VINICIUS NASCIMENTO DOS SANTOS, ANA GABRIELA ÁLVARES TRAVASSOS , HUMBERTO FRANÇA FERRAZ DE OLIVEIRA